Sempre tive como referência nas
teorias de Moral e Ética o filósofo Sérgio Cortella, mas a cada novo livro que
leio de C. S. Lewis percebo que ele é uma autoridade em literatura, suas
diversas áreas e assuntos! Suas incríveis metáforas, o trabalho minucioso com
as figuras de linguagem, a escolha do gênero mais adequado para a demonstração,
a clareza no seu texto me fazem crer que é o dito é verdade não somente pelo embasamento
bíblico, mas por ter tido a oportunidade de ler e sentir seu expresso
sentimento. Não precisa ser muito crítico, nem de muita sensibilidade para
viver esse sentimento e então atestar serem realmente sábias e verdadeiras suas
concepções. O que ele defende sobre Lei Moral:
“Suponhamos que você ouça o grito de socorro de um homem em perigo. Provavelmente
sentirá dois desejos: o de prestar socorro (que se deve ao instinto gregário) e
o de fugir do perigo (que se deve ao instinto de auto-preservação). Mas você
encontrará dentro de si, além desses dois impulsos, um terceiro elemento, que
lhe mandará seguir o impulso da ajuda e suprimir o impulso da fuga. Esse
elemento, que põe na balança os dois instintos e decide qual deles deve ser
seguido, não pode ser nenhum dos dois. Você poderia pensar também que a
partitura musical, que lhe manda, num determinado momento, tocar tal nota no
piano e não outra, é equivalente a uma das notas no teclado. A Lei Moral nos
informa da melodia a ser tocada; nossos instintos são meras teclas.
Há outra maneira de perceber que a Lei Moral não é simplesmente um de nossos instintos.
Se existe um conflito entre dois instintos e, na mente dessa criatura, não há
mais nada além desses instintos, é óbvio que o instinto mais forte tem de
prevalecer. Porém, nos momentos em que enxergamos a Lei Moral com maior clareza
ela geralmente nos aconselha a escolher o impulso mais fraco. Provavelmente,
seu desejo de ficar a salvo é maior do que o desejo de ajudar o homem
que se afoga, mas a Lei Moral lhe manda ajudá-lo, apesar dos pesares. E, em
geral, ela nos manda tomar o impulso correto e tentar torná-lo mais forte do
que originalmente era - não é mesmo? Ou seja, sentimos que temos o dever de estimular nosso instinto gregário, por exemplo, despertando a imaginação e estimulando a
piedade, entre outras coisas, para termos força para agir corretamente na hora
certa. E evidente, porém, que, no momento em que decidimos tornar mais forte
um instinto, nossa ação não é instintiva. Aquilo que lhe diz: "Seu
instinto está adormecido, desperte-o!", não pode ser o próprio instinto.
O que lhe manda tocar tal nota no piano não pode ser a própria nota...”
Em Cristianismo Puro e
Simples.